Remédio para Ansiedade Vicia? 5 Mitos e Verdades Sobre o Tratamento Psiquiátrico

Por Psiquiatra Dra. Ana Beatriz – RQE 124558

“Vou ficar dependente do remédio?” Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório de psiquiatria.

O medo de depender de medicamentos, sofrer efeitos colaterais ou mudar a própria personalidade pode fazer algumas pessoas adiarem uma avaliação.
Mas medicamentos diferentes têm mecanismos e riscos diferentes.

Por isso, não é correto falar que “remédio para ansiedade vicia” de maneira geral.
A avaliação deve considerar qual medicamento está sendo utilizado, por quanto tempo, em qual dose e para qual diagnóstico.

O preconceito em relação aos psicofármacos costuma ser alimentado pela desinformação que Remédio para Ansiedade Vicia.5 mitos e verdades sobre medicamentos para ansiedade

1. “Todo remédio para ansiedade causa dependência.”

Mito.
Os medicamentos utilizados no tratamento dos transtornos de ansiedade não formam um grupo único.
Antidepressivos como os ISRS, por exemplo, são utilizados como opções de tratamento de longo prazo em diversos transtornos de ansiedade e não apresentam o mesmo padrão de dependência associado aos benzodiazepínicos.
Entretanto, isso não significa que sejam medicamentos isentos de efeitos adversos.
A interrupção abrupta de alguns antidepressivos pode provocar sintomas de descontinuação, como tontura, alterações do sono, irritabilidade, sintomas gripais ou sensações corporais desagradáveis.
Por isso, a retirada deve ser planejada individualmente.

2. “Benzodiazepínicos podem causar tolerância e dependência.”

Verdade.
Medicamentos como clonazepam, alprazolam, diazepam e lorazepam pertencem à classe dos benzodiazepínicos.
Eles podem produzir alívio rápido da ansiedade, mas o uso prolongado está associado a riscos como tolerância, dependência e sintomas de abstinência ou retirada.
Por esse motivo, diretrizes não recomendam benzodiazepínicos como tratamento de longo prazo para transtorno de ansiedade generalizada e desaconselham seu uso rotineiro no tratamento prolongado do transtorno de pânico.
Isso não significa que jamais possam ser utilizados. Em determinadas situações clínicas, o psiquiatra pode considerar seu uso por período curto e com acompanhamento.

3. “Precisar de medicação significa que eu sou fraco.”

Mito.
Transtornos de ansiedade são condições médicas que podem produzir sofrimento importante e prejuízo funcional.
O tratamento não deve ser interpretado como uma questão de força ou fraqueza.
A necessidade de medicamento depende da avaliação clínica, da intensidade dos sintomas, do diagnóstico, das condições associadas, dos tratamentos anteriores e das preferências do paciente.
Em alguns casos, psicoterapia é suficiente. Em outros, medicamentos podem ser indicados. Em determinadas situações, a combinação das abordagens pode ser considerada.

4. “Todo tratamento com medicamento para ansiedade precisa terminar rapidamente.”

Mito.
Não existe uma regra única para todos os pacientes.
Algumas pessoas podem utilizar medicamentos por períodos relativamente curtos. Outras, especialmente quando apresentam transtornos persistentes, recorrentes ou maior risco de recaída, podem necessitar de tratamento por mais tempo.
As diretrizes recomendam que a duração seja individualizada e que, quando for decidido interromper um antidepressivo, a redução da dose seja planejada e acompanhada.
Portanto, não existe um “prazo universal” para o tratamento psiquiátrico.

5. “O medicamento vai mudar minha personalidade ou me deixar ‘dopado’.”

Não necessariamente — mas efeitos adversos existem e devem ser discutidos.
O objetivo do tratamento é reduzir os sintomas e melhorar o funcionamento, e não modificar a personalidade.
Entretanto, algumas pessoas podem apresentar efeitos adversos, dependendo do medicamento, da dose e de características individuais.
Entre eles podem estar sonolência, alterações gastrointestinais, alterações sexuais, agitação inicial e, em alguns pacientes, redução da intensidade emocional.
A chamada “diminuição da responsividade emocional” foi descrita em estudos com antidepressivos, embora seja difícil separar completamente esse fenômeno dos próprios sintomas do transtorno e os resultados da literatura não sejam uniformes.
Por isso, se a pessoa perceber que está se sentindo emocionalmente diferente após iniciar uma medicação, deve conversar com o psiquiatra em vez de interromper o tratamento por conta própria.

Medicamento não substitui avaliação

O tratamento psiquiátrico não começa necessariamente com uma receita.
Primeiro é necessário entender:
• quais sintomas estão presentes;
• há quanto tempo existem;
• qual o impacto na vida da pessoa;
• quais diagnósticos devem ser considerados;
• se existem outras condições médicas;
• quais medicamentos já foram utilizados;
• quais tratamentos foram eficazes ou não;
• quais são as preferências e preocupações do paciente.
Somente depois dessa avaliação é possível discutir as opções terapêuticas.

E a psicoterapia?

A psicoterapia continua sendo uma ferramenta importante no tratamento dos transtornos de ansiedade.
A terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, apresenta evidências para diferentes transtornos de ansiedade e para o transtorno de pânico.
O tratamento pode ser psicoterápico, medicamentoso ou combinado, dependendo do quadro clínico.

E a alimentação?

Uma alimentação adequada é importante para a saúde física e mental.
Existe atualmente interesse científico crescente na relação entre alimentação, microbiota intestinal e cérebro. Estudos com probióticos, prebióticos e outras intervenções estão sendo realizados.
Porém, os resultados ainda são heterogêneos e não justificam afirmar que uma determinada alimentação “produz neurotransmissores do bem-estar” ou que tratar a microbiota substitua o tratamento psiquiátrico convencional.
A nutrição pode fazer parte do cuidado global, mas deve ser apresentada como complementar, e não como substituta do tratamento indicado para um transtorno psiquiátrico.

Quando procurar um psiquiatra?

Se a ansiedade está interferindo no sono, trabalho, estudos, relacionamentos ou qualidade de vida, uma avaliação profissional pode ajudar a identificar o problema e discutir as opções de tratamento.

Não comece, aumente, reduza ou interrompa medicamentos psiquiátricos por conta própria.

Na Plenamente Psicologia e Saúde, a proposta é oferecer avaliação individualizada, esclarecendo benefícios, riscos e alternativas antes da definição do tratamento.

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Leituras Recomendadas sobre o Tema: Para quem deseja desmistificar a saúde mental e compreender a ciência por trás dos tratamentos psiquiátricos, indicamos estas obras:

Razões para Continuar Vivo — Matt Haig
(Um relato autobiográfico tocante e lúcido sobre a vivência da depressão e ansiedade graves, abordando o papel do tempo, do suporte médico e do afeto na recuperação).

Livre de Ansiedade — Dr. Robert L. Leahy
(Apresenta como os fatores biológicos e cognitivos se somam na ansiedade e como a TCC e o tratamento médico devolvem o controle ao paciente).

O Cérebro Ansioso — Dr. Arlin Cuncic
(Um guia acessível que explica a neurobiologia da ansiedade, desarmando o estigma em torno das intervenções clínicas e terapêuticas).