Por Psicólogo Alexandre Costa – CRP 05/57456
Perder chaves ou documentos, esquecer compromissos, adiar tarefas, ter dificuldade para organizar a rotina ou perder a concentração durante uma reunião.
Essas situações podem acontecer com qualquer pessoa.
A questão é entender quando essas dificuldades fazem parte de uma fase de estresse, privação de sono ou sobrecarga e quando representam um padrão persistente compatível com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que começa na infância e pode persistir na vida adulta. Os sintomas podem mudar de forma ao longo da vida, mas precisam estar associados a prejuízo funcional significativo.
Estresse, ansiedade ou TDAH: como diferenciar?
Quando a dificuldade de concentração pode estar relacionada ao estresse, a atenção pode piorar quando existe:
• privação de sono;
• excesso de trabalho;
• estresse financeiro;
• ansiedade;
• depressão;
• uso de determinadas substâncias ou medicamentos;
• problemas de saúde;
• mudanças importantes na rotina.
Nessas situações, a dificuldade de concentração pode aparecer principalmente durante o período de sobrecarga.
Quando devemos investigar TDAH?
No TDAH, os sintomas não costumam ser apenas uma dificuldade recente de concentração.
É necessário investigar uma história de dificuldades persistentes, geralmente com início na infância, além de prejuízo em áreas importantes da vida.
Os sintomas também precisam ocorrer em mais de um contexto, como trabalho, estudos, vida familiar ou relações sociais.
Isso é importante porque uma pessoa que passou a apresentar dificuldade de concentração apenas recentemente não deve receber automaticamente um diagnóstico de TDAH.
Quais sinais podem aparecer no TDAH adulto?
Desatenção e esquecimentos
• perder objetos frequentemente;
• esquecer compromissos;
• cometer erros por descuido;
• ter dificuldade para concluir tarefas;
• parecer não ouvir quando alguém fala;
• dificuldade para organizar atividades.
Dificuldade de iniciar tarefas
Algumas pessoas com TDAH apresentam grande dificuldade para começar tarefas longas, repetitivas ou pouco estimulantes.
Isso pode contribuir para procrastinação.
Entretanto, procrastinação isolada não é sinônimo de TDAH.
Dificuldade com gerenciamento do tempo.
Problemas relacionados à percepção e administração do tempo podem ocorrer no TDAH, embora “cegueira temporal” não seja um termo diagnóstico oficial e a evidência científica sobre alterações específicas da percepção do tempo ainda seja heterogênea.
Hiperfoco
Algumas pessoas relatam períodos de concentração intensa em atividades altamente interessantes ou estimulantes.
Isso não significa que “hiperfoco” seja um critério diagnóstico isolado do TDAH.
Impulsividade
Pode aparecer como:
• interromper outras pessoas;
• responder antes que a pergunta termine;
• tomar decisões precipitadas;
• dificuldade de esperar;
• compras ou comportamentos impulsivos.
Dificuldades na regulação emocional
Irritabilidade, dificuldade para lidar com frustração e mudanças rápidas na intensidade das emoções são relatadas com frequência em adultos com TDAH.
Pesquisas sugerem associação entre TDAH adulto e dificuldades de regulação emocional, embora essas manifestações não sejam critérios diagnósticos centrais do transtorno.
Como é feito o diagnóstico?
Não existe um exame de sangue, ressonância magnética ou teste isolado que confirme TDAH.
O diagnóstico é clínico e a avaliação deve considerar:
• história do desenvolvimento;
• sintomas desde a infância;
• funcionamento atual;
• desempenho profissional e acadêmico;
• relacionamentos;
• sintomas em diferentes ambientes;
• presença de outros transtornos psiquiátricos;
• condições médicas;
• uso de substâncias e medicamentos.
Escalas e questionários podem auxiliar na avaliação, mas não devem ser utilizados isoladamente para estabelecer o diagnóstico.
E a avaliação neuropsicológica?
A avaliação neuropsicológica pode ser útil em determinadas situações para caracterizar funções cognitivas e auxiliar na compreensão das dificuldades apresentadas.
Porém, ela não deve ser apresentada como um exame que confirma ou exclui sozinho o TDAH.
A literatura especializada considera a avaliação neuropsicológica uma ferramenta complementar, dentro de uma investigação clínica mais ampla.
O que acontece depois do diagnóstico?
Quando o diagnóstico é confirmado, o tratamento deve ser individualizado.
Dependendo do caso, podem ser consideradas:
• psicoeducação;
• psicoterapia;
• estratégias de organização e gerenciamento do tempo;
• tratamento medicamentoso;
• acompanhamento psiquiátrico;
• intervenções direcionadas às condições associadas.
O objetivo é reduzir os prejuízos relacionados ao transtorno e melhorar o funcionamento global.
TDAH não é sinônimo de preguiça
Uma das consequências mais prejudiciais da falta de informação é interpretar dificuldades persistentes de organização e atenção como falta de caráter ou força de vontade.
Ao mesmo tempo, nem toda desorganização significa TDAH.
Por isso, o diagnóstico correto é tão importante.
Na Plenamente Psicologia e Saúde, a avaliação psiquiátrica busca compreender a história individual, investigar diagnósticos diferenciais e definir, junto ao paciente, a melhor estratégia de tratamento.
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Leituras Recomendadas sobre TDAH em Adultos: Se você se identificou com os sintomas e deseja compreender melhor como o cérebro com TDAH funciona, recomendamos os seguintes livros:
No Mundo da Lua — Dr. Paulo Mattos
(Uma das maiores referências nacionais sobre o tema, explicando o TDAH em crianças, adolescentes e adultos de forma clara e acessível).
Mentes Inquietas: TDAH em Crianças, Jovens e Adultos — Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva
(Aborda com sensibilidade os impactos do transtorno nas relações pessoais, na carreira e na autoestima).
Tendência à Distração (Driven to Distraction) — Dr. Edward M. Hallowell e Dr. John J. Ratey
(Escrito por dois médicos com TDAH, apresenta estratégias práticas e um olhar focado nas potencialidades de quem vive com a condição).

Estresse, ansiedade ou TDAH: como diferenciar?

