Crise de Ansiedade ou Ataque de Pânico: Qual a Diferença e Como Agir?

Por Psicóloga Silvia Francisca – CRP 03/9786

Coração acelerado, falta de ar, tremores, suor, tontura, aperto no peito e uma sensação intensa de que algo terrível está acontecendo. Esses sintomas podem ser assustadores.

No dia a dia, os termos “crise de ansiedade” e “ataque de pânico” são frequentemente utilizados como sinônimos. Clinicamente, porém, é importante fazer algumas distinções.

Uma crise de ansiedade pode envolver preocupação intensa, tensão, inquietação e sintomas físicos que aumentam progressivamente.

Já um ataque de pânico é caracterizado por uma onda abrupta de medo ou intenso desconforto, acompanhada por sintomas físicos e cognitivos.
O ataque costuma atingir seu pico em poucos minutos.

Ter um ataque de pânico isolado também não significa necessariamente ter transtorno de pânico.
O transtorno de pânico envolve ataques recorrentes e preocupações ou mudanças comportamentais relacionadas a eles.

Em momentos de grande tensão emocional ou estresse, é comum o corpo reagir intensamente com Crise de Ansiedade ou Ataque de Pânico.Crise de ansiedade e ataque de pânico: qual a diferença?

Crise de ansiedade, pode estar associada a:
• preocupações persistentes;
• problemas familiares ou profissionais;
• situações de estresse;
• preocupação com saúde ou segurança;
• sobrecarga emocional;
• dificuldade para relaxar.

Os sintomas podem aumentar gradualmente e variar conforme a situação.

Ataque de pânico

O ataque de pânico apresenta início abrupto e pode ocorrer tanto diante de uma situação específica quanto aparentemente sem um gatilho evidente. Durante o episódio podem ocorrer:
• palpitações;
• sudorese;
• tremores;
• falta de ar ou sensação de sufocamento;
• dor ou desconforto no peito;
• tontura;
• formigamentos;
• náusea;
• sensação de irrealidade;
• medo de perder o controle;
• medo de morrer.
O pico costuma ocorrer em minutos. Muitos ataques diminuem espontaneamente depois de aproximadamente 20 a 30 minutos, embora algumas sensações residuais possam permanecer por mais tempo.

O que fazer durante uma crise?

1. Diminua o ritmo da respiração

Durante uma crise, algumas pessoas passam a respirar rapidamente, o que pode intensificar tontura, formigamento e sensação de falta de ar.
Em vez de realizar respirações muito profundas ou forçadas, tente respirar de maneira mais lenta, confortável e regular, especialmente prolongando suavemente a expiração.
Não é necessário prender a respiração.
Se exercícios respiratórios aumentarem o desconforto, interrompa-os e retome uma respiração natural.

2. Direcione sua atenção para o ambiente

Você pode utilizar um exercício simples de atenção aos sentidos:
• observe objetos ao seu redor;
• perceba o contato dos pés com o chão;
• identifique sons;
• observe a temperatura do ambiente;
• descreva mentalmente o que está acontecendo ao seu redor.
O objetivo é reduzir a atenção excessiva às sensações corporais e lembrar que uma sensação intensa não significa necessariamente que exista um perigo imediato.

3. Lembre-se de que o episódio tende a diminuir

Durante um ataque de pânico, as sensações podem parecer perigosas.
Uma frase útil pode ser: “Meu corpo está apresentando uma resposta intensa de alarme. Essa sensação é desconfortável, mas tende a diminuir.”
Evite, porém, concluir automaticamente que qualquer dor no peito ou falta de ar é “apenas ansiedade”.

4. Relaxe a musculatura

Observe se está apertando:
• mandíbula;
• ombros;
• mãos;
• abdômen.

Tente reduzir conscientemente essa tensão, sem forçar.
Atenção: nem toda dor no peito é ansiedade!

Sintomas como dor no peito, desmaio, falta de ar intensa ou alterações neurológicas podem ocorrer em diversas condições médicas.
Quando os sintomas são novos, muito intensos ou diferentes do padrão habitual, é importante procurar atendimento médico para avaliação adequada.
O diagnóstico de ataque de pânico deve ser feito após considerar outras possibilidades clínicas quando necessário.

E depois da crise?

Um ataque isolado pode acontecer sem que exista um transtorno de pânico.
Por outro lado, ataques recorrentes, medo persistente de ter uma nova crise, mudanças na rotina ou evitar lugares por receio de passar mal merecem avaliação profissional.
A terapia cognitivo-comportamental é uma das intervenções com evidências para transtorno de pânico. Em determinados casos, medicamentos antidepressivos, especialmente ISRS, também podem fazer parte do tratamento.
Os benzodiazepínicos não são recomendados como tratamento de longo prazo do transtorno de pânico e apresentam riscos relacionados à tolerância, dependência e sintomas de retirada.

Quando procurar avaliação psiquiátrica?

Procure ajuda quando as crises:
• se repetem;
• provocam medo persistente de uma nova crise;
• fazem você evitar sair de casa ou frequentar determinados lugares;
• prejudicam trabalho, estudos ou relacionamentos;
• estão acompanhadas de ansiedade persistente;
• levam ao uso frequente de medicamentos por conta própria.

Na Plenamente Psicologia e Saúde, a avaliação psiquiátrica busca identificar o quadro clínico e discutir as opções de tratamento disponíveis para cada pessoa.

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Leituras Recomendadas sobre o Tema: Para aprofundar seu conhecimento e adquirir mais ferramentas contra o pânico e a ansiedade, recomendamos estas leituras:

Vencendo o Pânico — Dr. Tito Paes de Barros
(Um guia prático e esclarecedor escrito por um psiquiatra especialista, focada em desmistificar as crises e apresentar técnicas de superação).

O Drible da Ansiedade — Dr. Robert L. Leahy
(Apresenta estratégias claras baseadas na TCC para lidar com o medo, a esquiva comportamental e as preocupações crônicas).

Desfazendo a Ansiedade — Dr. Judson Brewer
(Explora como os hábitos alimentam os ciclos de ansiedade no cérebro e como quebrar essa espiral utilizando a atenção plena).